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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

CHAVEZ E A NOSSA AMÉRICA

 (HD) - Redigimos estas notas em meio aos rumores, quase todos pessimistas, sobre a saúde de Hugo Chávez. Muitos, que não conseguem ocultar o regozijo, afirmam que o líder venezuelano agoniza. Outros – e é o caso de Evo Morales, da Bolívia - rezam para que ele sobreviva. Infelizmente, segundo observações médicas, só um milagre poderá devolver Chávez a Caracas, vivo e apto a retornar ao poder. 

As indomáveis circunstâncias, que o fizeram soldado, revolucionário e chefe de governo e de Estado em seu país, retiram-se agora de seu destino, dele fazendo um enfermo comum, que vem lutando, com coragem, mas sem armas efetivas, contra o câncer.
             Ele, ao ser diagnosticada a enfermidade, observou, sob o riso desdenhoso de alguns, que o câncer estava, em coincidência muito suspeita, atingindo  líderes do continente. Citou Lula e Cristina Kirchner e ele mesmo, como exemplos. O fato é que, em nossos dias, é fácil provocar enfermidades fatais em pessoas com saúde, e é também certo que o poder, com sua ansiedade e angústias, vulnera o organismo e favorece o seu acosso.
         
 Chávez, queiram ou não seus opositores, ocupou a História da Venezuela com uma presença só comparável à de seu ícone, Simon Bolívar. Não cabe discutir – e o debate exige tempo e espaço – se as medidas que tomou irão prevalecer no futuro. O seu grande êxito foi o de dar à maioria do povo venezuelano, o seu lado mais sacrificado e oprimido, antes e depois da independência, a consciência de ser, e de pertencer a uma pátria pela qual vale lutar.
          
O coronel é um mestiço andino, embora tenha nascido ao sopé de um dos segmentos mais imponentes da Cordilheira, o de Mérida, mas em terras planas. Sua forma de ver o mundo está na contradição dialética entre os mitos pré-colombianos e o pensamento ocidental. Em homens de sua origem e formação, prevalece, em certos momentos, a força instintiva dos autóctones, em outros, o racionalismo europeu.
          
Nesse jogo mental ele construiu o seu discurso às massas, muito superior ao de outros líderes continentais, pela simplicidade e pelo uso de imagens oferecidas pelo cotidiano.
          
O destino do socialismo bolivariano está vinculado, neste momento, à sobrevivência do discurso de Chávez. Como em todas as experiências políticas do passado, é difícil que o sistema, como ele o construía, se complete.

 Mas é certo de que os trabalhadores da cidade e dos campos de seu país não aceitarão voltar à submissão, dócil, aos oligarcas que têm dominado o país, com pequenos intervalos de governos honrados e efêmeros – como o do grande romancista Romulo Gallegos, que durou apenas nove meses, em 1948.   
         
Chávez já é um dos grandes homens da América.

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